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Cordel e o Acordo
Em algumas idas recentes ao Nordeste, procurei produções de literatura de cordel que abordassem o tema do Novo Acordo. Não encontrei. Mas agora, navegando pela internet, fui encontrado, e entrei em contato com Antonio Barreto (poeta, professor e cordelista de Salvador, este é o e-mail e os telefones são 71-9196-4588 e 71-3329-3237), que gentilmente enviou-me o "Novo Acordo Ortográfico em versos de cordel", de sua autoria, publicado pelas Edições Akadicadikum.
Alguns versos para saborearmos, sabendo que melhor ainda é ouvi-los na voz do poeta:Das regras a mais difícilDeve ser "hifenizar"!Não confunda, meu amigoCom o verbo infernizar!O HÍFEN é complicadoPortanto esteja ligado:Agora vou lhe explicar:Se o prefixo terminar Por exemplo em vogal
E o segundo elementoFor "r" ou "s" de sal:Consoante duplicadaTire o hífen da jogadaE veja como é legal:Escreva microssistemaContrarregra, infrassomBiorritmo, autorretratoMinissaia, ultrassomAntessala, antirracismoCosseno, neorrealismoE veja como é tão bom!
Postado pelo autor José Augusto - Mossoró-RN/ 14-10-2009
ResponderExcluirNOVO ACORDO ORTOGRÀFICO
Sempre vivi aprendendo,
Aprendendo e ensinando,
Ensinando e refletindo,
Refletindo, investigando.
Assim eu fui descobrindo,
Descobrindo e perguntando.
Nada fazia parar
A vontade de querer,
De querer e querer mais,
Querer sempre mais saber
Do mundo e coisas do mundo
Aprender e se prender.
Até que um dia eu
Aprendi ser professor,
Professor da juventude
Que tem muito pouco amor
A vontade de estudar
Que me causa até pavor.
………
Mês um de 2009
Em Angola e Portugal;
Em Brasil e São Tomé;
Timor-Leste, Guiné-Bissau,
Moçambique e Cabo Verde
A língua ficou igual.
Mas eu fico imaginando:
Essas cabeças de ar
Por capricho ou por política
Invés de descomplicar
Fazem tudo, tudo fazem…
Para a linguagem travar.
E assim quando não dão
Um nó na língua falada
Enrola mais a escrita
Tornando-a mais engessada,
Conservadora, sem asa…
Até mesmo mais pesada.
…….
Já que o recreio chegou
Na volta eu explicarei
Regra por regra a vocês.
Ao voltar me deparei
Com todos os estudantes
Querendo a primeira lei.
– Pois bem! Saiu o acento
Das palavras: assembleia
De jiboia, paranoia,
Tipoia, joia e ideia.
E sendo ditongo aberto
Se foi também de plateia.
Das palavras paroxítonas
Desapareceu também
O acento de taoismo,
Feiura, feiudo sem…
Afetar sua pronúncia
Nem a vida de ninguém.
Buliram com outro acento
Que vai dar dor de cabeça
Em cavalo manco até,
Até que amadureça
Ponto por ponto a ideia,
Ou suba e desça e esqueça.
…….
Esse acento é dito e visto
Como diferencial,
É pra diferenciar
Pôr de por que é um casal
Que tem pronúncia igual
E sentido desigual.
Também veja Otaviano
Como foi mesmo tirado
De pára – forma verbal –
O acento consagrado
Deixando igual para a para
E muito mais enrolado.
Pela do verbo pelar
Ficará sem seu acento,
Grafia igual à pela
Do fechado casamento
Da preposição co’o artigo,
Sem causar constrangimento.
O acento circunflexo
Não será usado mais
Nas palavras de grafia
Com “ôo” e seus “derivais”:
Abençoo, voo e magoo.
Corro, perdoo e demais.
…….
Quando a aula terminou
Uns gostaram da didática,
Alguns acharam melhor
Do que química e matemática,
Outros saíram dizendo:
– Assim aprendo gramática.
E ficaram estudando,
Aprendendo e refletindo,
Refletindo e descobrindo
Descobrindo que a linguagem
Não é uma maquiagem
Pintada pela gramática
De cara e visão estática,
Presa na língua do povo
Feito um passarinho no ovo
Sem canto, encanto e didática.
FIM
assim é mais fácil de aprender!!
ResponderExcluirmuito legal
A gente estuda a vida inteira e ensina os filhos estudar, quando está tudo formado e aprendeu direitinho, o poder se modifica e entra lá um individuo que tem raiva de quem sabe e quer nivelar tudo por baixo, além da cortesia com o chapéu alheio ajuda a disseminar burrice pelo país do faz de conta.
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