"Uma declaração dos governos garantiria uma flexibilidade para uma realidade que tem vida própria — a língua. Mas, assinado o Acordo, a obrigação dos Estados é cumprir."(Adriano Moreira, presidente da Academia das Ciências de Lisboa)
"Uma declaração dos governos garantiria uma flexibilidade para uma realidade que tem vida própria — a língua. Mas, assinado o Acordo, a obrigação dos Estados é cumprir."
Estou lendo aos poucos, pois aos poucos é que se leem os bons textos reunidos num só livro, Desacordo ortográfico, coletânea realizada pelo jovem escritor Reginaldo Pujol Filho. Chegou às livrarias este mês.
"É, gente, eu havia me declarado ferrenho opositor às modificações impostas pelo (arrgh) Acordo Ortográfico... mas agora estou tendo que engolir suas regras, sob pena de perder valiosos pontos num concurso público (ou mais de um, talvez), caso insista em permanecer preso à norma antiga."
"Sem um objetivo claro e com severas implicações financeiras, a reforma ortográfica apoia-se num documento lacunar e numa obra de referência marcada pela hesitação e pela inconstância nos critérios de regularização. Fica a incômoda impressão de que os custos serão bem maiores que os supostos benefícios."
Confirmado. Amanhã, às 9 da manhã, vou ministrar um curso sobre a nova Ortografia na Editora Vida. Quem quiser se inscrever, ainda há algumas vagas: tel. (11) 2618-7000, ou então por e-mail, com Rose: atendimento@editora.com.br
Para nossos efeitos, quero destacar a Oficina Nova Ortografia da Língua Portuguesa a ser ministrada pelo professor Alfredo Scottini, no dia 13 de novembro à tarde.
Guiné-Bissau ainda não ratificou o Acordo. E não o fez por enfrentar problemas internos mais urgentes, que tornam a ortografia questão menor. Contudo, o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior promete: "A instabilidade que temos vivido é que não possibilitou essa ratificação e vamos fazê-lo o mais rapidamente possível."

"O Acordo existe e passou por umas quantas cabeças de um lado e de outro. Se for preciso, sentem-se outra vez à mesa, puxem as esferográficas e avancem, que isto já se está a tornar caricato."
"É urgente desdramatizar as questões do Acordo. Há diferenças, mas as pessoas não precisam de entrar em pânico, até porque há regras que só vêm simplificar."
Em 2009, digamos (num "chute" calculado) que cerca de 40% dos brasileiros alfabetizados entraram realmente em contato com as novas regras ortográficas. Ainda estamos por fazer do Acordo uma prática.

Conheci ontem, pessoalmente, Maurício Silva, autor de O novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pela Editora Contexto. E ganhei dele uma obra que acabou de publicar, Ortografia da língua portuguesa, também pela Contexto.
"O Acordo Ortográfico está em vigor no Brasil desde janeiro de 2009. Ele hoje norteia a ortografia oficial brasileira. Muito esforço e dinheiro já foram despendidos em aplicá-la. Já integra livros didáticos, dicionários, gramáticas, a imprensa. Já é parte do currículo escolar. A esta altura, a incipiente revolta contra sua adoção implicaria mais problemas do que soluções.
"Mais factível e mais construtivo do que repensar do zero a reforma — independentemente do rumo que outros países lusógrafos derem ao Acordo — será partir da nova ortografia e, nos dois anos e meio oficiais de adaptação, corrigir (inclusive , e para começar, no VOLP), por meio de diálogo e consenso, o que for necessário ou conveniente corrigir, como no processo normal na evolução do uso e das regras de uma língua."
(Paulo Geiger, editor)
É sempre bom divulgar iniciativas sobre o tema. Hoje, Dia Internacional da Alfabetização, o Prof. Dr. Gilvan Müller (e o trema em seu nome não deixa de ser uma ironia) vai ministrar a palestra O ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA: BASES POLÍTICO-LINGUÍSTICAS, às 20h, no auditório das Faculdades ESPAM, em Sobradinho (DF).
Como se invasores alienígenas estivessem ameaçando o Brasil por terra, céu e mar, um amigo outro dia declarou, assustado e nervoso: "sou patriota, não concordo com o Acordo, vou continuar a falar como sempre falei".