Ontem eu me perguntava se estava pedindo demais ao Corretor Aurélio. A matéria que Thaís Nicoleti de Camargo publicou na Folha de ontem foi muito mais exigente, e com toda a razão.
A articulista mostra que o revisor não consegue detectar a perda de hífens em determinadas palavras, como em "mão de obra", "pai de santo" ou "calcanhar de aquiles". Que embora seja eficiente para acentuar as palavras, não percebe a falta de acento em uma forma como "espera-la". Que no caso polêmico das grafias "coerdeiro" (nova) e "co-herdeiro" (antiga), considera que ambas estão erradas.
Em suma, é preciso conhecer ortografia para poder confiar (desconfiando) no novo produto aureliano...
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sábado, 21 de março de 2009
Enfim, o Volp
Enfim, chegou às livrarias o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa em sua 5ª edição. O Vocabulário do Novo Acordo.
Mas a polêmica não termina aqui. Esta empreitada foi brasileira, o que fortalece, na opinião pública portuguesa, a impressão de que estamos nós querendo capitanear tudo, "governar a implantação do Acordo", como disse em entrevista o professor José Luiz Fiorin (hoje, na Folha de S.Paulo).
São 878 páginas, 349.737 vocábulos, e cerca de 1.500 estrangeirismos. Um livro para ficar folheando, degustando, aprendendo, fazendo descobertas.
Como já se fez ver, a palavra "coerdeiro" aparece assim, sem hífen e sem "h", embora no texto oficial do Acordo seja citada a forma "co-herdeiro". O Vocabulário corrige o Acordo, baseando-se no consagrado "coabitar". Manter "co-herdeiro" obrigaria Bechara e sua equipe, em nome da coerência, a registrar, com hífen, "co-habitar".
Termo do jargão linguístico, "co-hipônimo" (por exemplo, cão e gato são co-hipônimos em relação ao hiperônimo mamífero) não é mencionado no Volp. Mas, seguindo o raciocínio anterior, perde o hífen. Será a partir de agora "coipônimo".
Já "coomologia", que na 4ª edição do Volp era "co-homologia" (termo da topologia algébrica... campo de estudo que não é para qualquer um), aparece também sem hífen.
Um caso estranho. Quem for acusado ou condenado pela participação com outra pessoa num mesmo delito será "corréu", e não mais "co-réu".
Mas a polêmica não termina aqui. Esta empreitada foi brasileira, o que fortalece, na opinião pública portuguesa, a impressão de que estamos nós querendo capitanear tudo, "governar a implantação do Acordo", como disse em entrevista o professor José Luiz Fiorin (hoje, na Folha de S.Paulo).
São 878 páginas, 349.737 vocábulos, e cerca de 1.500 estrangeirismos. Um livro para ficar folheando, degustando, aprendendo, fazendo descobertas.
Como já se fez ver, a palavra "coerdeiro" aparece assim, sem hífen e sem "h", embora no texto oficial do Acordo seja citada a forma "co-herdeiro". O Vocabulário corrige o Acordo, baseando-se no consagrado "coabitar". Manter "co-herdeiro" obrigaria Bechara e sua equipe, em nome da coerência, a registrar, com hífen, "co-habitar".
Termo do jargão linguístico, "co-hipônimo" (por exemplo, cão e gato são co-hipônimos em relação ao hiperônimo mamífero) não é mencionado no Volp. Mas, seguindo o raciocínio anterior, perde o hífen. Será a partir de agora "coipônimo".
Já "coomologia", que na 4ª edição do Volp era "co-homologia" (termo da topologia algébrica... campo de estudo que não é para qualquer um), aparece também sem hífen.
Um caso estranho. Quem for acusado ou condenado pela participação com outra pessoa num mesmo delito será "corréu", e não mais "co-réu".
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