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quinta-feira, 19 de março de 2009

A história do hífen

O hífen é o pesadelo, o pomo da discórdia, a besta do apocalipse! É a pedra no caminho, a pedra de escândalo, o fim da picada.

Seria interessante alguém fazer a história do hífen, comparando-a com a história do apóstrofo, do til ou do ponto de interrogação. Certamente há coisas mais urgentes na vida, mas é como dizia Ortega y Gasset: o ser humano não quer apenas sobreviver, quer viver. E a nossa existência tem milhões de coisas assim, que parecem supérfluas, pura perda de tempo.

Vejam, por exemplo, as coleções. Há os que colecionam selos, moedas, cartões telefônicos, cartões postais, canetas, cardápios, conchas, gravuras, gibis, caixas de fósforos, camisetas, chaveiros, girafinhas e outros animais em miniatura — pinguins, corujinhas, burrinhos, rinocerontes, hipopótamos, elefantes, dinossauros... Para que, meu Deus, tantas coleções inúteis, enquanto morrem de fome milhares de crianças neste mundo?

E há quem colecione hifens, e até se preocupe em ter dúvidas sobre eles!

Ontem, uma pessoa me enviou a seguinte pergunta: "Trabalho em uma empresa de brinquedos educativos e gostaria de saber sobre o uso do hífen na palavra quebra-cabeça."

Aliás, quer melhor quebra-cabeça do que o próprio hífen? Sim, o tracinho trapalhão continuará na palavra "quebra-cabeça".

Uma curiosidade. O hífen também se chama traço-de-união, ou melhor, traço de união, sem hifens a partir de agora, segundo o Acordo.

Outra curiosidade. Poucos sabem que o hífen tem um irmão, o seu perfeito contrário, o antífen [#], sinal empregado pelos revisores para indicar a necessidade de separar palavras que se encontram justapostas.