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quarta-feira, 25 de março de 2009

Acreano ou acriano?

Um acriano, queixando-se de que o Volp não mais autoriza a grafia "acreano", e registra apenas a forma com sufixo "-iano", desabafou num fórum virtual: "Estou me sentindo mutilado. Sou e serei sempre acreano com muito orgulho."

A 4ª edição do Vocabulário admitia as duas possibilidades: "acreano" e "acriano". A 5ª edição consagra "acriano" como única opção. A justificativa para descartar o "e" e entronizar o "i" é que o nome de origem, "Acre", termina em "e" átono. Por isso quem nasce em Açores é açoriano (o "e" é átono), mas quem nasce na Coréia do Sul (o "e" é tônico) é sul-coreano. Era uma tendência que veio se firmando ao longo do século XX e agora é consagrada pelo Novo Acordo.

Evanildo Bechara tem recebido do Acre dezenas de protestos. Os acrianos querem ser acreanos. Bechara responde: "Vejo no movimento pela manutenção do 'acreano' uma devoção ao nome. Os árabes dizem: dar nomes às coisas é sinal de possuí-las. Então eu vejo o movimento sentimental dos acrianos com alegria, porque vejo o respeito pela forma escrita. Como filólogo, repito, isso me causa muita alegria. Mas como técnico da língua, vejo em 'acreano' com 'e' um erro de história da língua. Quer dizer, nós estamos defendendo 'acreano' em nome da história do Estado, mas contrariando a história da língua. O que há é a história da língua, que é universal, contra a história dos acrianos, que é digna de respeito e admiração, mas é muito pontual."

O poeta Glauco Mattoso põe lenha na fogueira: "Si eu fosse acreano, jamais acceitaria graphar 'acriano', da mesma forma como um alagoano não ia gostar de escrever 'alaguano'."