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domingo, 15 de março de 2009

O hífen da discórdia

O filólogo e gramático Evanildo Bechara, no Estado de S.Paulo de hoje, volta a falar a respeito do hífen, o tracinho trapalhão. Sobrou para ele, coitado. Para o hífen. Mas também para o gramático. Sobrou para nós também, lógico.

Bechara admite que o texto do Acordo vacila. Por isso, no Volp (prestes a ser publicado), tentou uma solução que preservasse a autoridade do texto oficial, sem multiplicar os problemas.

Concretamente, "para-quedas" passa a ser grafado sem hífen, "paraquedas", porque o Novo Acordo menciona expressamente esse exemplo, alegando que a noção de composição nessa palavra, "em certa medida", já se perdeu. Ninguém mais percebe que o paraquedas detém a queda do paraquedista...

O Acordo não cita a palavra "para-choque", uma vez que, provavelmente, ainda percebemos os choques a amortecer... O hífen aqui continuará firme e forte; o Volp assim o registrará. E "para-lama" também com hífen. Detalhe: os Paralamas do Sucesso nunca se preocuparam com isso.